Recomendações do "Web Accessibility Initiative" do "World Wide Web Consortium"
Conheça as recomendações para acessibilidade na Web do W3C
O World Wide Web Consortium (W3C - http://www.w3.org/) trabalha com a comunidade global produzindo especificações e referências, e promovendo a evolução e interoperabilidade dos protocolos da WWW. O World Wide Web Consortium atua em conjunto com o Massachusetts Institute of Technology Laboratory for Computer Science [MIT/LCS], nos Estados Unidos, e o Institut National Recherche en Informatique et en Automatique [INRIA], na Europa, em colaboração com o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN - Centre Européen de Recherche Nucléaire), e apoiado pela DARPA, Agência de Projetos de Pesquisa dos Estados Unidos (The Defense Advanced Research Projects Agency) e pela European Commission.
Entre as diversas frentes de atuação do W3C, pode-se destacar o grupo de interesse sobre acessibilidade Web Accessibility Initiative (WAI), cuja missão é promover a acessibilidade na WWW para pessoas com deficiência. Esta iniciativa atende não só usuários com deficiência, mas promove um alto nível de usabilidade em documentos na Web a partir do desenvolvimento de tecnologias, diretrizes, instrumentos, educação e pesquisa.
Este documento apresenta um resumo das diretrizes de acessibilidade propostas pelo W3C. Para acessar a versão completa das diretrizes do W3C consulte o documento Web Content Accessibility Guidelines em http://www.w3.org/TR/WAI-WEBCONTENT/>
Diretrizes para acessibilidade de conteúdo na Web
1. Prover alternativas equivalentes para conteúdo auditivo e visual.
O conteúdo apresentado ao usuário deve oferecer alternativa equivalente para ser compreendido tanto de forma visual como auditiva. Usuários com deficiência visual podem usar interpretadores que transformam texto em locução. A imagem de uma seta representando a navegação para a próxima página deve oferecer uma alternativa como o texto "próxima página" para poder ser lida por esses interpretadores. Explicações em texto também podem ser usadas para descrever conteúdo visual complexo, como gráficos ou diagramas. Em outros casos, uma equivalência visual como legendas de texto pode ser usada para que usuários com deficiência auditiva possam ler o conteúdo sonoro apresentado em vídeo ou locuções de áudio.
Esta diretriz enfatiza o uso de equivalências em texto para conteúdo não textual. A vantagem de equivalências em texto é que elas podem ser expressas usando diferentes tecnologias, que atendem a diferentes grupos de deficiência. Conteúdo no formato de texto pode ser prontamente disposto por sintetizadores de voz, mostradores em braile ou em uma variedade de displays de computadores.
2. Não depender somente de cor
Texto, gráficos ou outros elementos visuais devem ser compreendidos mesmo sem cor ou diferença de tonalidade. Algumas pessoas podem não distinguir certas cores ou podem estar usando displays monocromáticos. Usar apenas a cor vermelha para indicar um texto de alerta, por exemplo, pode não ser compreendido em sistemas não visuais. Em seções de sites de cores diferentes, fazer sinalização de identificação.
3. Usar marcação de HTML apropriadamente.
Documentos devem apresentar marcação de elementos estruturais de forma apropriada e em conformidade com a especificação. Folhas de estilo, em vez de elementos e atributos, devem ser usadas para controle da apresentação. Diversos elementos de estrutura como títulos, listas, citações, ou mesmo expressões matemáticas possuem marcação específica e gramática formal definida.
O uso inapropriado de marcação para atingir efeitos de apresentação, como usar tabela para organizar layout ou header de título para alterar o tamanho do texto, pode não ser compreendido por softwares especializados que necessitam da marcação apropriada para organizar a página e a navegação.
- Usar marcação correta para acentos e caracteres especiais também.
- Criar seu documento para que ele possa ser validado pelas gramáticas específicas. É importante saber qual linguagem HTML o internauta está usando (3, 4 etc).
- Usar unidades de marcação relativas, nunca absolutas (tamanho da fonte, por exemplo), para proporcionar ao usuário a mudança dos tamanhos no seu browser
4. Clarificar o uso de linguagem natural.
A marcação também pode ser usada para facilitar a interpretação ou pronúncia de abreviações ou textos de contextos externos. O uso de atributos de língua ou identificadores de abreviações e acrônimos facilita a expressão de textos em sistemas de voz ou braille. Colocar um tag identificando o acrônimo. Usar marcação específica para definir que uma palavra não está em linguagem comum, que está em inglês, por exemplo.
5. Criar tabelas que se transformem graciosamente.
Tabelas devem usar marcação apropriada para assegurar sua apresentação em diferentes agentes de apresentação e navegação. Tabelas devem ser usadas apenas para marcação de informação especificamente tabular e nunca para organização de layout. Alguns agentes apresentam o conteúdo de tabelas de forma linear e necessitam da marcação apropriada para ordenar a informação de forma adequada.
6. Assegurar que páginas contendo novas tecnologias se transformem graciosamente.
O conteúdo das páginas web deve ser acessível mesmo quando novas tecnologias não estiverem disponíveis ou não forem suportadas pelo agente do usuário. Esta diretriz encoraja o uso de novas tecnologias que solucionam problemas de tecnologias antigas, mas observa que a informação deve estar acessível mesmo para agentes antigos ou para pessoas que disabilitam certas funcionalidades. Os documentos devem ser organizados de modo a permitir leitura mesmo sem as folhas de estilo. A atualização de conteúdo dinâmico ou o uso de scripts e applets deve ter funcionalidade assegurada ou apresentações alternativas devem ser oferecidas.
7. Assegurar controle do usuário sobre conteúdo modificado com o tempo.
Pessoas com deficiência visual ou cognitiva podem não ser capazes de ler texto em movimento. Pessoas com deficiência física podem não ser capazes de interagir com objetos que se modificam na tela. Movimento também pode causar distração, dificultando a leitura da página por pessoas com dificuldades cognitivas. Mudanças abruptas de luminosidade ou piscamento podem causar problemas a pessoas com disfunção epiléptica. Os usuários devem poder controlar e interromper elementos que se movimentam ou se modificam ininterruptamente na página.
8. Assegurar acessibilidade direta de objetos com interface de usuário própria.
Ao usar objetos ou aplicativos que possuam interface de usuário própria, assegurar que a interface atenderá aos princípios de funcionalidade, não dependendo de equipamento, operabilidade de teclado, etc. Se a interface do objeto não se tornar acessível, deve-se oferecer uma solução alternativa.
9. Projetar para não dependência de equipamentos.
Deve-se usar recursos que permitam o acesso aos elementos da página por uma variedade de dispositivos de entrada e saída de dados. Se, por exemplo, o controle de um formulário somente puder ser acionado via mouse, alguém acessando a página sem dispositivos de visão, por entrada de voz ou via teclado somente, poderá não ser capaz de operar o formulário.
10. Usar soluções provisórias.
Deve-se usar soluções intermediárias de acessibilidade para assegurar que as tecnologias de acessibilidade operem corretamente em versões antigas de browsers. Criação de novas janelas, associação de legendas com campos de formulário, tabelas que distribuem texto de forma paralela, navegação entre campos de formulário vazios são funcionalidades que podem não ser acessadas por browsers antigos. É necessário planejar soluções alternativas para esses casos.
11. Usar diretrizes em tecnologias em conformidade com o W3C.
Muitos formatos que não estão dentro das especificações do W3C como Shockwave Flash, Postscript, requerem o uso de plug-ins ou aplicações externas e não podem ser acessadas por outros agentes de usuário. Evitar o uso de tecnologias ou extensões proprietárias significa manter as páginas acessíveis a mais usuários, usando uma maior variedade de hardware e software.
12. Prover contexto e orientação.
O agrupamento de elementos com a mesma função e o provimento de informação contextual sobre as relações entre os elementos pode ser útil para todos os tipos de usuário. Relações complexas entre as partes de uma página dificultam sua interpretação por pessoas com deficiência visual ou cognitiva:
- agrupar elementos e dar informação contextual é importante para o usuário;
- se usar frame, colocar título e identificação;
- informação extensa tem que ser dividida em pequenos blocos;
- Usar identificadores explícitos em áreas do site bem determinadas.
13. Prover mecanismos claros de navegação.
Os mecanismos de navegação devem ser claros e consistentes para aumentar a capacidade de identificação e reconhecimento, assegurando a orientação do usuário enquanto estiver procurando informações. O uso de grupos de navegação organizados permite a compreensão da estrutura do site. O provimento de caráter semântico ou descritivo à direção de cada link ou a consistência na ordenação do agrupamento dos links beneficia todos os usuários, em especial aqueles com deficiência visual ou cognitiva.
- Identifique claramente os links, usando metáforas concretas: jamais use "Clique aqui".
- Ofereça informações sobre o layout geral do site, as opções de acessibilidade que estão disponíveis.
- Use mecanismos de navegação consistentes.
- Disponibilize diferentes tipos de busca, se houver essa possibilidade.
- Coloque informação sobre a coleção de documentos oferecida.
14. Assegurar clareza e simplicidade nos documentos.
Consistência no layout e ordenação das páginas, descrição de elementos gráficos ou linguagem clara torna mais acessível a interação com as páginas. O uso de linguagem clara promove eficiência no processo de comunicação, facilita a interação para pessoas com problemas de aprendizagem ou com problemas de expressão.