Acessibilidade e ambientação no local de trabalho
Texto de Verônica Camisão
O interesse em conceber os ambientes de forma mais abrangente e menos restritiva, ou seja, atentos à diversidade dos usuários, suas necessidades e possibilidades físicas e sensoriais, se difunde por todo o mundo. É o reconhecimento das diferenças de habilidade entre os indivíduos e as modificações pelas quais passa o nosso próprio corpo durante a vida.
No ambiente de trabalho em especial, um meio físico acessível pode ser libertador para muitos e transformar a possibilidade de integração entre as pessoas e o seu desempenho. Os ambientes inacessíveis são uma das principais causas da grande taxa de desemprego entre as pessoas com deficiência e podem determinar que alguns sejam excluídos do mercado de trabalho. O meio pode reforçar uma deficiência valorizando um impedimento ou torná-la sem importância naquele contexto. Pode tornar-nos mais eficientes, hábeis ou independentes.
As vantagens dos ambientes livres de barreiras beneficiam 100% dos usuários e não apenas determinado segmento. Ao idealizarmos ambientes para todos, buscamos atender à universalidade dos usuários. Assim, através do somatório das facilidades pensadas para cada um - como um piso com faixa tátil de orientação para o deficiente visual e programação visual explícita que atenda ao deficiente auditivo, e também aos visitantes - beneficiamos o todo. Este é o conceito de Desenho Universal, ou seja: projetar tendo em vista toda a gama de usuários. A acessibilidade é considerada como um item dentre os demais, tal como iluminação ou ventilação adequadas.
Na maioria das vezes, é fácil tornar-se um meio ambiente acessível com adaptações simples e de baixo ou nenhum custo. Uma porta de 80cm de largura custa quase o mesmo que a de 60 cm, significa menos tijolos na parede e as diferenças de custo desaparecem. Muitas vezes, com a simples realocação das mesas de trabalho torna-se o local apto para o uso de alguém em cadeira de rodas, por exemplo. Uma rampa adequada é muito útil para todos e em especial para gestantes, pessoas obesas ou com dificuldades de locomoção, temporária ou não, mas também aos que transportam material ou cargas. Ela não exige manutenção, é mais confortável e segura que uma escada e provoca muito menos acidentes.
O direito ao acesso sem restrições está garantido pela legislação brasileira atual e do ponto de vista econômico e social, é de interesse do Estado e da sociedade o incentivo à eliminação de barreiras arquitetônicas e a um meio ambiente integrador, que permita o desenvolvimento e produção de todo indivíduo.
O espaço acessível não só agrega qualidade de vida e melhora a produtividade e o desempenho das funções em geral, mas traduz algo mais sobre os valores culturais de quem oferece aquele espaço.
VERÔNICA CAMISÃO
·Arquiteta, Coordenadora do Setor de Acessibilidade do CVI-Rio
·Consultora de Acessibilidade da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro
·Vice Presidente da Comissão Internacional de Tecnologia e Acessibilidade da América Latina, da Rehabilitation International
·Membro do Grupo Técnico de Acessibilidade do Real Patronato da Espanha